A Inércia Humana

11 11 2009

Ontem mesmo, numa carta de aniversário a um amigo, escrevi sobre a inércia humana. A inércia em que os indivíduos vivem hoje e que não conseguem libertar-se. Incrível. O mundo rola em piloto automático e as pessoas mantêm os mesmos desejos: muito dinheiro para que possam ter de tudo. Tudo o que se perde fácil. Pessoas agem naturalmente de forma gananciosa e esquecem daquilo que realmente importa. Seguem como formigas em direção ao formigueiro, uma atrás das outras, em busca da felicidade comprada em dinheiro e depois não entendem o porquê de sempre necessitar mais. É, os verdadeiros valores se perderam nas moedas e trocos; e o ser humano tenta completá-los com o material tocável. Tem-se tudo, mas não tem-se nada.


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A Traição

14 10 2009

O tabu da sociedade monogâmica: traição. Hoje, pensava neste tema que me amedronta e interessa. Por que pensamos que a traição é tão ruim? Bom, uma das razões é a imposição  da sociedade. Sociedade que tem sua moral ditada pela religião; e religião que tem a monogamia como símbolo do amor. Mas o que é realmente a traição… Seria suprir o desejo (tesão) que aflora para com outros indivíduos no momento em que você está comprometido? Ou é amar mais de um ao mesmo tempo? Levemos em consideração que as duas coisas sejam traição. Ok. Então por que é que eu tenho tanto medo?

Toda a traição, seja ela amorosa ou relativa à amizade, reflete em perda de confiança. E quando a confiança se vai, é como um dente permanente que cai: não volta. Falta de confiança é sinônimo de insegurança. Insegurança pode, em determinados casos, terminar em baixa auto-estima. E tudo isso corre em um círculo vicioso, em inércia perfeita. E quanto mais a insegurança está presente, mais você tenta prender o parceito/amigo para si. Grande erro. Ele(a) vai. Baixa auto-estima passa a ser um estado natural do ser traído. Mas por que é que a traição é vista como perda de confiança? Traição simboliza então a perda de algo que, supostamente, pertence ao ser traído. Possessividade, ter, ter e mais ter. “Você é meu”. O quão egoísta seria aquele que não daria a mão a quem o traiu? Por que um homem ou mulher não pode amar a dois/duas ao mesmo tempo? Por que não se pode ter dois melhores amigos? Se ninguém é perfeito, deveríamos hipoteticamente ter a opção de, pelo menos, juntar um pouco daqui e dali para que as necessidade fossem supridas. Ou não. Não sei.





O Ser e o Falar

30 09 2009

Há um tempo atrás me peguei pensando na ligações existentes entre o primeiro idioma que aprendemos nas nossas vidas e a forma que funcionam os nossos pensamentos.

Assim, um exemplo baseado na minha experiência linguística, se é que ela pode ser denominada desta forma:

Eu nasci e cresci com o idioma português e japonês. Logo, meu raciocínio deriva-se da forma como as primeiras palavras e expressões foram gravadas na minha cabeça. Mas isso agora não vem muito ao caso, pois quero fazer um paralelo entre os faladores de “brasileiro” e os faladores de alemão. 

Moro na Alemanha há exatamente 5 anos e 8 meses. Percebi que, muito do que eu vivenciei dos alemães, pode estar ligado ao idioma. Para quem não sabe, o idioma alemão funciona assim:

– tudo numa frase tem seu lugar;

– é muito formal – mas o japonês é mais formal ainda (talvez por isso seriam mais fechados???)

– existem verbos extremamente expecíficos para cada coisa que se faz;

– não é nada flexível, quer dizer, não existe muito o duplo sentido* que pra gente é normalíssimo

– e assim por diante.

A partir daí, lembrei-me de outra coisa: os latinos são conhecidos mundialmente pelo seu jogo de cintura. Latino é derivado de Latim. Não sei muito da origem e formação da língua latina, mas se ela for flexível e cheia de vais-e-vêns como o português, espanhol, etc. (todas línguas latinas), não seria possível que realmente haja relação entre as duas variáveis “idioma” e “comportamento”? Que a formação do pensamento seja derivada também da forma em que a língua mãe se comporta? Será que existem líguas em que o pronome possessivo ou o verbo “ter” não existem e, consequentemente, as pessoas comportam-se de forma menos gananciosa? Ou seria o inverso de tudo isso? O homem aprendeu a falar depois de já existir uma tal de sociedade. E talvez, a origem do idioma esteja diretamente ligada ao comportamento que os seres mantinham nas antigas e primitivas sociedades…  Hm… penso, penso.

*fui questionada ha pouco sobre o termo “duplo sentido”. Duplo sentido, neste caso, refiro-me essencialmente à capacidade de uma expressão ou termo tem de significar algo que, literalmente, não faz sentido. E não o fato de uma palavra e/ou expressão possuir diferentes sifnificados.





Clarice e o Existencialismo

28 09 2009

Grande Clarice. Acompanha-me desde os 14 anos de idade. Foi-me apresentada pela maravilhosa professora de literatura do colégio onde estudava. Primeiro livro? A Hora da Estrela. Na minha opinião, um dos mais “simples”.

 

Macabéa busca a si mesma. Procura, de algum jeito, entender o porquê, quando e onde da sua existência. Tem sonhos e quer ser alguém, mas um alguém que ela mesma não sabe quem. Busca uma vidente para mostrar-lhe o futuro. Este tal futuro realmente torna-se presente e demonstra o caráter epifânico encontrado na maioria – senão em todas – das obras de Clarice. 

 

Não contarei como é o final. Quem quer saber, lê, interpreta e compreende. Posteriormente, mais sobre minhas leituras de Clarice.





Nostalgia.

26 08 2009

O degrau abaixo da saudade. A nostalgia… Sua etimologia é um tanto quanto poética e diz tudo: a palavra origina-se do grego, mais precisamente da junção de nostos e algos. Nostos significa retorno ou regresso. Algos, dor ou sofrimento. Eis o sofrimento do regresso. A dor. Pensar naquilo que não mais volta é, de certa forma, sufocante. 

A nostalgia é amarelo-laranja. Escurece como o pôr-do-sol, que simboliza o dia que nunca mais retorna. É o capítulo final daquele ótimo livro, é fim de uma história. É música daquela época, é música de LP, é preto e branco, é morte sem morrer.
Tornar-se-á saudade quando não houver mais dor.

bicho da seda





Sobre a Saudade

21 08 2009

Saudades. Quem nunca sentiu? A saudade é a lembrança de um momento. Uma lembrança tão perto de algo que provavelmente já está longe. A memória de momento efêmero que vem à cabeça e desperta reações químicas no nosso corpo e, por não entendermos muito bem, chamamo-na de saudade. Ela vem daquilo que um dia vivemos e amamos – ninguém tem saudade do sofrimento – e parece trazer consigo o sentimento que ocorria naquela exata situação. E assim, o momento e sentimento efêmeros eternizam-se. Ao ver uma foto, sentir um cheiro, ouvir uma música: o momento torna e retorna, num ciclo infindo de sentimentos. Ênfase: a saudade eterniza. Tudo isso contou-me o magnífico Rubem Alves em um de seus livros que descreve o amor e seus princípios.
(E quando cito o amor, refiro-me ao sentimento construído e duradouro, não a mera paixão. Merece um post)





A Beleza e a Não-Beleza

20 08 2009

Fotos importadas 00240Eu observo as pessoas que conheço. Muitas delas, à primeira vista, são lindas. Lindas por fora. Outras, entretanto, já não possuem aquilo que poderíamos chamar de “beleza”. Beleza no sentido físico e material – aquela que a gente perde fácil. Mas quando a gente as conhece melhor e identifica-se com os valores e pensamentos, essas pessoas tornam-se lindas. E o contrário também acontece. Tenho uma colega que a maioria das pessoas acham bonita. Porém, depois de um tempo, meus amigos dizem-me que o jeito da pessoa se comportar e se mexer e falar e e e , fazem-na horrível…

É. Eu tenho uma preferência pelos que não passaram direito pela fila da beleza física, lá no céu, antes de nascer. Eu também sou assim. Esqueci-me de passar por lá! Então, prezo por outros valores, que não o da beleza efêmera. Apesar de eu ter muitos conflitos internos (sou mulher, tenho TPM, sei que os homens são excitáveis muito facilmente pelo físico), eu tento – de todas as formas, evitar que este mundo de futilidade e efemeridade tome conta de mim. Quando eu morrer, não gostaria que as pessoas lembrassem de mim desta forma: “que pena, tinha uns peitãããããããão!!!”… Mas assim: “aquela menina tinha um bom coração. Vai fazer falta a sua presença. Fica a saudade.” 

A saudade eterniza. Depois aprofundar-me-ei neste assunto.