O Egoísmo e o Egocentrismo

15 11 2009

Eu li há uns dias atrás um post que falava sobre a morte (sobre ela: posteriormente). Nele, era abordado o fato do egoísmo ser razão fundamental das pessoas que choram a perda. As pessoas que perderam choram porque gostariam de TER novamente a presença física da pessoa que se foi. É verdade. Aí lembrei-me de que as atitudes egoístas são coisas que mais me intrigam e me fazem sentir mal no processo da minha vida. 

Fiz psicoterapia por muito tempo da minha vida, na tentativa de superar algumas dificuldades que fazem parte de mim. Aprendi a fazer exercícios que analisam e combatem a tristeza e outras coisas mais. No começo era legal, dava certo meio certo, mas depois parecia que não tinha adiantado. Depois de parar a terapia, parei para pensar do porquê do resultado não ser o esperado. Pá, dito e feito: a terapia enfatizava desde o início o egocentrismo. Claro que não da forma mais pesada, mas era essencial que eu me tornasse o centro da minha vida para parar de sofrer. Enfatizava-se o fato de que eu deveria me colocar sem dó como o centro, a pessoa mais importante da minha vida. Só que eu não sei fazer isso. É parte do meu ser que as outras pessoas (família, amigos, namorado) sejam colocados sempre à frente. Sofro com isso? Sim, mas decidi não mudar porque, para a minha vida, o egocentrismo é errado. Talvez a pessoa egocêntrica viva melhor (não se coloca na pele dos outros, não sofre pelo fato do resto do mundo ser como é, não pensa que tem gente passando fome), com menos sofrimentos externos. Quem nunca conheceu aquele(a) babaca? Que diz que o dele(a) ele(a) garante e que “tá-pouco-se-fodendo” (e ainda acha lindo falar assim…). Pois é – e tem tantos indivíduos assim… 

Aí, giro mais um pouco nos pensamentos e penso sobre a prática do altruísmo. Na teoria é muito bonito. Só que, seria o altruísmo uma forma também egoísta do ser, para que ele – o altruísta – tenha a sensação de bem-estar ao praticar um ato altruísta? Exemplo: eu compro uma coxinha para o mendigo que tem fome. Eu dou-lhe a coxinha e fico feliz por ver a felicidade dele. Pratiquei, inconscientemente, um ato egoísta. Talvez o então o altruísmo não seja o oposto do egoísmo, mas sim, um egoísmo que também faz o outro ficar bem. Nossa… Sei lá – me assustei agora! 

* O egoísmo e o egocentrismo estão ligados intimamente. O egocentrismo é característica natural do ser humano nos seus primeiros anos de vida: recebe toda a atenção do mundo, tudo gira em torno dele. Seus pais vivem por ele. Aí a pessoa cresce e tem atitudes extremamente egoístas para tentar voltar ao egocentrismo inicial da vida – mas agora, como a vida social é ativa e ninguém deveria ser centro, ela age egoisticamente na tentativa de ser centro. O egocêntrico pratica o egoísmo, mas o ato egoísta por der gerido de alguém que, não necessariamente, é egocêntrico.

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A Traição

14 10 2009

O tabu da sociedade monogâmica: traição. Hoje, pensava neste tema que me amedronta e interessa. Por que pensamos que a traição é tão ruim? Bom, uma das razões é a imposição  da sociedade. Sociedade que tem sua moral ditada pela religião; e religião que tem a monogamia como símbolo do amor. Mas o que é realmente a traição… Seria suprir o desejo (tesão) que aflora para com outros indivíduos no momento em que você está comprometido? Ou é amar mais de um ao mesmo tempo? Levemos em consideração que as duas coisas sejam traição. Ok. Então por que é que eu tenho tanto medo?

Toda a traição, seja ela amorosa ou relativa à amizade, reflete em perda de confiança. E quando a confiança se vai, é como um dente permanente que cai: não volta. Falta de confiança é sinônimo de insegurança. Insegurança pode, em determinados casos, terminar em baixa auto-estima. E tudo isso corre em um círculo vicioso, em inércia perfeita. E quanto mais a insegurança está presente, mais você tenta prender o parceito/amigo para si. Grande erro. Ele(a) vai. Baixa auto-estima passa a ser um estado natural do ser traído. Mas por que é que a traição é vista como perda de confiança? Traição simboliza então a perda de algo que, supostamente, pertence ao ser traído. Possessividade, ter, ter e mais ter. “Você é meu”. O quão egoísta seria aquele que não daria a mão a quem o traiu? Por que um homem ou mulher não pode amar a dois/duas ao mesmo tempo? Por que não se pode ter dois melhores amigos? Se ninguém é perfeito, deveríamos hipoteticamente ter a opção de, pelo menos, juntar um pouco daqui e dali para que as necessidade fossem supridas. Ou não. Não sei.