A Solidão

9 12 2009


Estive pensando sobre a solidão – ou melhor, sobre a minha necessidade de solidão. Depois de muito tempo que passo junto com pessoas, eu necessito de um tempo. Um tempo pra mim, pra minha vida, pros meus pensamentos. Nem que eu não faça nadica de nada, mas ficar só é essencial. O silêncio, do qual falarei posteriormente, faz parte do meu ser. Talvez ele seja parte da minha fobia social, mas de qualquer forma, necessito.

Gosto de ir ao centro da cidade com um livro e sentar-me em um café. Ficar a ler acompanhada de um espresso e minhas interpretações. Depois, andar à beira do lago e acompanhar o pôr-do-sol. Muito bom. Conversar com meus sentimentos, pensar sobre o mundo e refletir sobre a minha vida.

Só assim é que eu me dou conta que existo. E só assim é que percebo que determinados instantes da vida é que fazem-na valer por inteira.* Hei de repetir assim que parar de chover.

* O momento. Talvez, no exato instante da sua ocorrência, ele não venha a ser tão importante. Mas quando olho para trás, percebo o quão extraordinário ele foi simplesmente pela sua lembrança e sentimento que daí aflora. Perfeito. Existem alguns que marcam logo de início e ficam até a morte. Mas, na sua maioria, são pequenos e por muitos desvalorizados. Quem é que lembra-se do outono, das folhas secas ao chão e do barulhinho maravilhoso que ecoa quando nelas se pisa? Quem é lembra-se da “coisa” gostosa que é mastigar uma bala 7-belo? Bom, eu páro a minha rotina para pensar exatamente nestes pequenos instantes da vida… Segue posteriormente um post sobre a independência e sua forte ligação com a solidão.





Ensaio Sobre A Cegueira – José Saramago

26 11 2009

Há praticamente nove anos atrás li meu primeiro livro de Saramago. Eu me lembro ainda que fui com meu ex-namorado e um amigo numa palestra dada pelo próprio Saramago em Curitiba, no Centro de Convenções. Era o lançamento do Ensaio Sobre A Cegueira. Até hoje sinto-me honrada de ter podido participar do evento.

Li o livro em 2 dias. Levei até para o banho, pois não conseguia desgrudar meus olhos daquelas páginas que me diziam muito e me agoniavam ao mesmo tempo.

Primeira impressão: fiquei encantanda. A forma comoSaramago vê o mundo é muito interessante. E o melhor, a forma como ele escreve e relata isso é o „mais-melhor-de-bom“. O livro fala sobre uma cidade em que as pessoas ficam cegas sem nenhum tipo de motivo aparente. E não tem cura. A cidade torna-se caos, ninguém vê mais nada. Agoniante!

E aí é que está a graça da história toda: o quão paralelo é a cidade dos cegos com a nossa sociedade atual? O capitalismo e a forma como vivemos hoje em dia é tão parelho à cegueira descrita no livro, que assustei-me. O mundo é ditado por determinadas pessoas e poderes, e nós, aqui „embaixo“, não percebemos. A mídia manipulada, da qual falarei posteriormente, torna-nos cada vez mais enganáveis. Somos cegos e continuamos cegos por opção somente pelo fato de não contestarmos o que vemos e ouvimos. Foda.





O Ser e o Falar

30 09 2009

Há um tempo atrás me peguei pensando na ligações existentes entre o primeiro idioma que aprendemos nas nossas vidas e a forma que funcionam os nossos pensamentos.

Assim, um exemplo baseado na minha experiência linguística, se é que ela pode ser denominada desta forma:

Eu nasci e cresci com o idioma português e japonês. Logo, meu raciocínio deriva-se da forma como as primeiras palavras e expressões foram gravadas na minha cabeça. Mas isso agora não vem muito ao caso, pois quero fazer um paralelo entre os faladores de “brasileiro” e os faladores de alemão. 

Moro na Alemanha há exatamente 5 anos e 8 meses. Percebi que, muito do que eu vivenciei dos alemães, pode estar ligado ao idioma. Para quem não sabe, o idioma alemão funciona assim:

– tudo numa frase tem seu lugar;

– é muito formal – mas o japonês é mais formal ainda (talvez por isso seriam mais fechados???)

– existem verbos extremamente expecíficos para cada coisa que se faz;

– não é nada flexível, quer dizer, não existe muito o duplo sentido* que pra gente é normalíssimo

– e assim por diante.

A partir daí, lembrei-me de outra coisa: os latinos são conhecidos mundialmente pelo seu jogo de cintura. Latino é derivado de Latim. Não sei muito da origem e formação da língua latina, mas se ela for flexível e cheia de vais-e-vêns como o português, espanhol, etc. (todas línguas latinas), não seria possível que realmente haja relação entre as duas variáveis “idioma” e “comportamento”? Que a formação do pensamento seja derivada também da forma em que a língua mãe se comporta? Será que existem líguas em que o pronome possessivo ou o verbo “ter” não existem e, consequentemente, as pessoas comportam-se de forma menos gananciosa? Ou seria o inverso de tudo isso? O homem aprendeu a falar depois de já existir uma tal de sociedade. E talvez, a origem do idioma esteja diretamente ligada ao comportamento que os seres mantinham nas antigas e primitivas sociedades…  Hm… penso, penso.

*fui questionada ha pouco sobre o termo “duplo sentido”. Duplo sentido, neste caso, refiro-me essencialmente à capacidade de uma expressão ou termo tem de significar algo que, literalmente, não faz sentido. E não o fato de uma palavra e/ou expressão possuir diferentes sifnificados.





Clarice e o Existencialismo

28 09 2009

Grande Clarice. Acompanha-me desde os 14 anos de idade. Foi-me apresentada pela maravilhosa professora de literatura do colégio onde estudava. Primeiro livro? A Hora da Estrela. Na minha opinião, um dos mais “simples”.

 

Macabéa busca a si mesma. Procura, de algum jeito, entender o porquê, quando e onde da sua existência. Tem sonhos e quer ser alguém, mas um alguém que ela mesma não sabe quem. Busca uma vidente para mostrar-lhe o futuro. Este tal futuro realmente torna-se presente e demonstra o caráter epifânico encontrado na maioria – senão em todas – das obras de Clarice. 

 

Não contarei como é o final. Quem quer saber, lê, interpreta e compreende. Posteriormente, mais sobre minhas leituras de Clarice.





Olá!

18 08 2009

Eu estou aqui para escrever um pouco sobre o que se passa na minha cabeça. Talvez não seja interessante pra você e nem pra mais ninguém. Mas escrevo para mim. Aqui é o meu diário. O diário dos meus pensamentos e emoções. Fique à vontade.