O Ser e o Falar

30 09 2009

Há um tempo atrás me peguei pensando na ligações existentes entre o primeiro idioma que aprendemos nas nossas vidas e a forma que funcionam os nossos pensamentos.

Assim, um exemplo baseado na minha experiência linguística, se é que ela pode ser denominada desta forma:

Eu nasci e cresci com o idioma português e japonês. Logo, meu raciocínio deriva-se da forma como as primeiras palavras e expressões foram gravadas na minha cabeça. Mas isso agora não vem muito ao caso, pois quero fazer um paralelo entre os faladores de “brasileiro” e os faladores de alemão. 

Moro na Alemanha há exatamente 5 anos e 8 meses. Percebi que, muito do que eu vivenciei dos alemães, pode estar ligado ao idioma. Para quem não sabe, o idioma alemão funciona assim:

– tudo numa frase tem seu lugar;

– é muito formal – mas o japonês é mais formal ainda (talvez por isso seriam mais fechados???)

– existem verbos extremamente expecíficos para cada coisa que se faz;

– não é nada flexível, quer dizer, não existe muito o duplo sentido* que pra gente é normalíssimo

– e assim por diante.

A partir daí, lembrei-me de outra coisa: os latinos são conhecidos mundialmente pelo seu jogo de cintura. Latino é derivado de Latim. Não sei muito da origem e formação da língua latina, mas se ela for flexível e cheia de vais-e-vêns como o português, espanhol, etc. (todas línguas latinas), não seria possível que realmente haja relação entre as duas variáveis “idioma” e “comportamento”? Que a formação do pensamento seja derivada também da forma em que a língua mãe se comporta? Será que existem líguas em que o pronome possessivo ou o verbo “ter” não existem e, consequentemente, as pessoas comportam-se de forma menos gananciosa? Ou seria o inverso de tudo isso? O homem aprendeu a falar depois de já existir uma tal de sociedade. E talvez, a origem do idioma esteja diretamente ligada ao comportamento que os seres mantinham nas antigas e primitivas sociedades…  Hm… penso, penso.

*fui questionada ha pouco sobre o termo “duplo sentido”. Duplo sentido, neste caso, refiro-me essencialmente à capacidade de uma expressão ou termo tem de significar algo que, literalmente, não faz sentido. E não o fato de uma palavra e/ou expressão possuir diferentes sifnificados.

Anúncios